Inteligência Brasileira  ( Max Bense)

Inteligência Brasileira. Uma Reflexão Cartesiana
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Bense é um filósofo ensaísta alemão que ficou bastante próximo do poeta concretista brasileiro Haroldo de Campos. Na década de 60, fez algumas visitas ao Brasil, nas quais conheceu diferentes partes do país e teve a chance de bater papo com uma galera interessante, como João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. O livro Inteligência Brasileira é uma espécie de diário, composto por pequenas anotações, percepções e pensamentos do alemão sobre o Brasil e as experiências que teve por aqui.

O formato do Inteligência Brasileira, como um apanhado de ideias, permite que o autor vá da análise dos centros urbanos a teorias semióticas e ideias atropológicas em algumas páginas. O livro é pequeno, 117 páginas no total, mas exige uma atenção na leitura, justamente pela complexidade do conteúdo. Hegel, Wittgenstein, conceitos de estética e sociologia… Pra sacar tudo, é preciso ter bagagem — coisa que me faltou em alguns tópicos, mas nada que a gente não corra atrás pra entender.

Inteligência Brasileira foi o livro mais “viajado” que li no ano. Foi ótimo pra me tirar do campo prático e me lembrar de que, como escreveu certa vez a Eliane Brum, a contemplação é civilizatória. Ah, comprei o exemplar nas desovas da falecida Cosac Naify. Se procurar bem, acha alguns bem baratinho.

Avaliação: 4/5
Quotes:

⇢ “(…) quer também chamar a atenção pra o fato de que não é por suas relações de poder que uma civilização avançada desperta o interesse geral. Antes disso, ela o faz pelas relações que estabelece na esfera da inteligência

⇢ “A essência da distração não consiste na impressão ou na lembrança: a memória assume o caráter de uma fluida concentração”

⇢ “Diz-se que os cupins trabalham apenas em sociedade; os homens, como se sabe, pensam sozinhos. Todas as condições existenciais do homem são condições de sua individualidade. Contudo e exatamente por meio disso elas possibilitam a generalização do mundo inteligível. Quando escrevo, penso em todos.”

⇢ “O concreto é o não-abstrato. Tudo o que é abstrato traz em si alguma coisa que o pressupõe, a partir da qual certas características são abstraídas. Tudo o que é concreto resume-se, ao contrário, apenas a si mesmo.”

⇢ “Frases não são o objetivo dos textos concretos. Trata-se de criar conjuntos de palavras, que em sua totalidade representam um espaço de comunicação verbal, vocal e visual — o corpo linguístico tridimensional — este corpo linguístico tridimensional é o portador de uma mensagem estética especificamente concreta.”

⇢ “A poesia concreta é portanto poesia consciente, que comunica inteiramente a sua realidade estética numa linguagem de signos cujas categorias ela combina, e esses signos são palavras, mas a palavra não aparece como um portador convencional de significado, ela tem de ser compreendida estritamente como portador construtivo, visual ou vocal da forma.”

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