Os Irmãos Karamázov  (Dostoiévski)

Os Irmãos Karamázov
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Densidade, complexidade, angústias e Édipo: Os Irmãos Karamázov , o último romance de Dostoievski, escrito em 1879, é simplesmente foda. Em resumo, a obra traz o conflito entre os membros da família russa Karamazov, composta pelo pai, um sujeito infame e detestável, e três filhos, com personalidades, valores e objetivos de vida bastante distintos.

Em Os Irmãos Karamázov , são postas à mesa diversas questões existenciais, morais e políticas. A qualidade da construção dos personagens, bem como de todo o desenrolar da história, é de uma grandiosidade imensurável. Acabei lendo a edição da Martins Fontes por razões de promoção. A diagramação está excelente (o livro é lindo!) e não constatei nenhuma grande aberração de texto — mas, em geral, a galera recomenda a tradução do Paulo Bezerra, editora 34. Os Irmãos Karamázov  é um catatau de 900 páginas que vale cada vírgula. Leiam! Leiam! E leiam!

Avaliação: 5/5
Quotes:

⇢ “De fato, Fiódor Pávlovitch sempre gostou de fingir atitudes, representar algum papel, às vezes sem necessidade alguma, nem que fosse para prejudicar a si mesmo, como nesse caso. Essa é, aliás, uma característica especial de muitas pessoas, mesmo as nada tolas.”

⇢ “Não sei dos detalhes: apenas ouvi dizer que a jovem, gentil, paciente e ingênua, tinha tentando enforcar-se em algum cabide da despensa, perturbada pelos caprichos e eternas reprovações da velha benfeitora, que, no fundo, não era má, mas a quem a ociosidade tornava insuportável.”

⇢ “Pensativo e distraído, sua face era agradável, seu corpo forte e alto, seu olhar estranhamento fixo, o que caracteriza as pessoas distraídas; às vezes ele olhava para outra pessoa por muito tempo, sem vê-la.”

⇢ “- Peço-lhe igualmente para não se inquietar e não se incomodar — disse o mestre, com majestade. — Não se preocupe, sinta-se em casa, totalmente. E , o principal, não tenha tanta vergonha de si mesmo, pois todo mal vem disso.

⇢ “Não, não é sobre Diderot. Sobretudo, não minta a si mesmo. Quem mente a si mesmo e ouve a própria mentira chega a não distinguir mais a verdade, nem em si, nem no mundo ao redor; então perde o respeito por si mesmo e pelos outros. A pessoa que não respeita ninguém deixa de amar e, para ter alguma ocupação e distração na ausência do amor, dedica-se às paixões e aos prazeres grosseiros; chega ao estágio animal em seus vícios, e tudo isso em virtude da mentira contínua a si mesmo e aos outros. Quem mente a si mesmo pode ser o primeiro a ser ofendido. Às vezes sente-se prazer em ofender a si mesmo, não é verdade? A pessoa sabe que ninguém a ofendeu, mas que ela mesma passou a ofender-se pintando o quadro de negro com prazer, agarrando-se a uma palavra qualquer e transformando um montículo em uma montanha — ela sabe, mas é a primeira a ofender-se, chegando assim a experimentar uma grande satisfação; assim, ela chega ao verdadeiro ódio… Mas levante-se, sente-se, por favor; esse também é um gesto falso… “

⇢ “ — Patati, patatá! Hipocrisia e velhas frases! Velhas frases e velhos gestos! Velhas mentiras e inclinações até o chão! Já conhecemos essas reverências! “Um beijo nos lábios e um punhal no coração”como em Bandoleiros, de Schiller. Não gosto de hipocrisia, meus padres, e quero a verdade! Mas a verdade não está nas tolices, como eu proclamei! Padres monges, por que você jejuam? Por esperar recompensas no céu? Conforme o amanho da recompensa, eu vou jejuar mais do que vocês! Não, santo monge, seja virtuoso em vida, traga benefícios para a sociedade, em vez de fechar-se em um mosteiro cheio de pão aa cada dia, esperando recompensas lá de cima — isso é que é difícil. Como vê, padre abade, eu também sei fazer boas frases.”

⇢ “Mas Ivan não ama ninguém, ele não é dos nossos; pessoas como ele, meu querido, não são iguais a nós, são pó… Se o vento sorprar, esse pó vai voando!… “

⇢ “– Penso que se o diabo não existe… se ele foi criado pelo homem… o homem fez o diabo à sua imagem e semelhança.

⇢ “– Sim, mas.. Sabe, noviço, os absurdos são muito necessários neste mundo. A terra se alicerça nos absurdos e sem eles, talvez, nada aconteceria. Sabe-se o que se sabe!”

⇢ “Mas não sabias que, mal o homem, recusasse o milagre, logo recusaria também a Deus, pois o homem busca mais os milagres do que Deus. E, como o homem não pode passar sem milagres, ele vai inventar novas maravilhas, dessa vez maravilhas humanas, e se curvar aos milagres do charlatão, aos sortilégios da feiticeira, às magias dos rebeldes mil vezes hereges e sem Deus.”

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