Sociedade sem escolas  ( Ivan Illich)

Obras Reunidas: 1
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School’s our for summer; school’s out forever, o Alice Cooper. Crítico da Educação, Ivan Illich escreveu Sociedade sem escolas no início da década de 70 para mostrar que a Escola leva nota vermelha ao exercer seu papel na formação de cidadãos esclarecidos, transformadores e mentalmente saudáveis. Ele defende que a obrigatoriedade da escola esmorece no sujeito a vontade da busca pelo conhecimento e em pouco ajuda no desenvolvimento dos valores humanos.

Capitalismo e formação

No fim do dia, segundo Illich em Sociedade sem escolas, a Escolarização acaba sendo uma forma de as instituições ganharem dinheiro, formatarem cabeças e alimentarem o mito de que a Escola e a Universidade são os únicos possíveis detentores do conhecimento. Li a obra, tida pelos defensores do Unschooling (Desescolarização) como uma das principais sobre o tema, como parte da pesquisa que fiz para uma reportagem sobre Desescolarização — sem link porque ela ainda não foi publicada. É uma boa leitura que engloba reflexões sobre os métodos arcaicos empregados pelas Escolas no ensino até temas como a desigualdade social global e a mudança na percepção de infância que ocorreu no último século.

Avaliação: 4/5
Quotes:

⇢ “Virtualmente, todas as nossas disciplinas escolares se basearam em concepções que, hoje, são incompatíveis com o axioma cartesiano e com a visão de mundo estática que derivamos desse axioma em determinado momento. Para suporte das novas idéias, inclusive as da moderna física, existe urna ordem unificadora, mas que não é a causalidade;”

⇢ “Nossa herança judeu-cristã e greco-romana, nossa tradição helênica levaram-nos a pensar em categorias exclusivas. Mas nossa experiência nos desafia a reconhecermos uma totalidade mais rica e bem mais complexa que o observador comum nem poderia suspeitar

⇢ “No México, há dez anos atrás, era normal nascer e morrer em sua própria casa e ser enterrado pelos amigos. Apenas os cuidados pela alma eram assumidos pela igreja institucional. Agora, começar ou terminar a vida em casa é sinal de pobreza ou de especial privilégio. Agonia e morte passaram à administração institucional de médicos e agências funerárias. Tendo uma sociedade transformado as necessidades básicas em demandas por mercadorias cientificamente produzidas, define-se a pobreza por padrões que os tecnocratas podem mudar a bel-prazer. A pobreza se aplica àqueles que ficaram aquém de algum ideal de consumo propagandizado. No México, pobres são os que não freqüentaram três anos de escola; em Nova York, os que não freqüentaram doze anos.”

⇢ “A escola tornou-se a religião universal do proletariado modernizado, e faz promessas férteis de salvação aos pobres da era tecnológica. O Estado-nação adotou-a, moldando todos os cidadãos num currículo hierarquizado, à base de diplomas sucessivos, algo parecido com os ritos de iniciação e promoções hieráticas de outrora. O Estado moderno assumiu a obrigação de impor os ditames de seus educadores por meio de inspetores bem intencionados e de exigências empregatícias; mais ou menos como o fizeram os reis espanhóis que impunham os ditames de seus teólogos pelos conquistadores e pela Inquisição.”

⇢ “O certificado constitui uma forma de manipulação mercadológica e é plausível apenas a uma mente escolarizada. A maioria dos professores de artes e comércio são menos hábeis, menos inventivos e menos comunicativos que os melhores artesãos e comerciantes. A maioria dos professores de espanhol e francês que lecionam no secundário não falam a língua tão bem quanto seus alunos o fariam depois de meio ano de adequado treinamento.”

⇢ “Algumas eras cristãs nem mesmo consideravam suas proporções corporais. Artistas pintavam a criança como se fosse miniatura de adulto, sentada nos braços de sua mãe. As crianças aparecem na Europa juntamente com os relógios de bolso e os agiotas cristãos do Renascimento. Antes de nosso século, pobres e ricos nada entendiam de roupas para crianças, jogos de crianças ou de imunidade legal da criança. O ser criança era coisa da burguesia. O filho do trabalhador, do camponês ou do nobre, todos se vestiam como seus pais, brincavam como seus pais e eram enforcados da mesma maneira que seus pais. Depois que a burguesia descobriu «o ser criança», tudo mudou. Apenas algumas igrejas continuaram a respeitar, por certo tempo, a dignidade e maturidade dos jovens. Até o Concílio Vaticano II ensinava-se às crianças que o cristão chegava ao discernimento moral e à liberdade aos sete anos e, a partir daí, era capaz de cometer pecados, pelos quais poderia ser castigado com o inferno eterno.”

⇢ “A lei da freqüência obrigatória possibilita à sala de aula servir de ventre mágico, donde a criança é libertada periodicamente, ao final do dia ou ao findar do ano escolar, até que seja, finalmente, expelida para a vida adulta.”

⇢ “Como diz Arnold Toynbee, a decadência de uma grande cultura vem geralmente acompanhada do surgimento de uma nova Igreja Universal que dá esperanças ao proletariado doméstico e ao mesmo tempo satisfaz as necessidades de uma nova classe guerreira. A escola tem todas as características para ser a Igreja Universal de nossa decadente cultura.”

⇢ “A escola não é apenas a nova religião do mundo. É também o mercado de trabalho de mais rápido crescimento no mundo inteiro.

⇢ “Cada um é pessoalmente responsável por sua própria desescolarização; unicamente nós temos o poder de fazê-lo.”

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